Entrevista com Sergio Avendaño

Por 30 agosto, 2016 0 Permalink

Eles já foram apelidados de rebeldes com uma causa. Um grupo de novos e ousados produtores chilenos que reverenciam a cartilha de vinhos feitos em pequenas proporções, de modo artesanal, respeitando o terroir e de forma sustentável, formaram o grupo denominado MOVI – Movimento de Vinhateiros Independentes do Chile.

O simpático Sergio Avendaño é dono, enólogo e produtor da vinícola Trabun. Veio ao Brasil representando o MOVI e, em sua passagem, concedeu uma entrevista exclusiva ao blog. Confira a seguir:

DD: Como você definiria a importância de iniciativas como o MOVI? 

SA: A maneira de se produzir vinhos no Chile pode ser dividida em antes e depois do MOVI. O movimento iniciou-se como uma plataforma de discussão e troca de experiências entre produtores. Foi fundamental para o desabrochar de pequenas vinícolas que desejavam desenvolver vinhos de qualidade, mas usando métodos artesanais, com liberdade de expressão, uvas e cortes diferentes, em uma produção em escala humana.

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DD: Quais os requisitos para fazer parte do MOVI? Há algum controle de qualidade sobre o produto? 

Em sua essência o MOVI é um grupo de produtores que acreditam que o sucesso individual é fruto do êxito coletivo.

Os membros do MOVI são os proprietários, envolvidos desde o vinhedo à comercialização. São pessoas comprometidas em desenvolver vinhos que traduzem a sua crença, a sua personalidade, a sua verdadeira convicção.

São amigos que visam oportunidades comerciais para todo o grupo. Aqui você verá proprietários servindo vinhos de outros produtores e os promovendo como se fossem seus próprios. Isso explica a cara de festa do evento.Enquanto isso, aqueles que não puderam vir, ficam no grupo do Whatsapp perguntando sobre o evento.
A qualidade dos vinhos decorre naturalmente do cuidado com os métodos produtivos, mas evidentemente, não aceitamos vinhos que apresentem defeitos.

O grupo de Whatsapp do MOVI bombava durante o evento.

O grupo de Whatsapp do MOVI bombava durante o evento.

DD: Do ponto de vista do consumidor, por que alguém deveria preferir os vinhos do MOVI? 

SA: A paixão de seus proprietários pelo vinho e pelo terroir e a filosofia empregada reflete nos vinhos do MOVI. São vinhos que contam uma história. São feitos sob o conceito “de mim para você”.

DD: Além de promover os vinhos de seus membros, o MOVI se preocupa em ser uma plataforma educacional e de união de esforços comercial? 

SA: Estes devem ser os próximos passos. Alguns membros do MOVI sequer possuem importadores no Brasil. Além disso, é importante mostrar o conceito e as diferenças existentes. Não existe um só cabernet chileno, mas sim muitos tipos diferentes de cabernet produzidos no Chile.

DD: Em 2015 o Chile foi o maior exportador para o Brasil com mais de 37% do total do mercado de importados. Como o MOVI vê o mercado brasileiro? Ainda há espaço para mais vinhos do Chile? 

SA: O Brasil é um dos mercados mais interessantes, não só pela proximidade, mas também pelo seu tamanho. O MOVI quer mostrar que o Chile é capaz de produzir vinhos de qualidade mundial, nossos competidores não são as grandes vinícolas chilenas, competimos com os produtores de alta qualidade de todo o mundo, essa é a nossa proposta.

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