MOVI NIGHT SP – A grande festa do vinho independente

Por 24 agosto, 2016 0 Permalink

Fomos conferir o primeiro MOVI Night SP, evento que ocorreu na recentemente na capital paulistana, para promover vinhos de produtores independentes do Chile.

O MOVI – Movimento de Vinhateiros Independentes do Chile – é uma associação de 32 pequenos produtores andinos que compartilham o anseio de produzir vinhos de qualidade, em pequenas quantidades, respeitando o terroir local. Se preferir pode chamar de vinhos de autor ou vinhos de garagem.

É um movimento de contracultura, insubordinado à noção de que o Chile (somente) é capaz de produzir vinhos em dois seguimentos: os simples de bom custo-benefício ou os premium, uma reduzida minoria de boa qualidade, ao estilo europeu, caros e sem personalidade.

Não raro, no MOVI o proprietário acumula a função de viticultor, comercial, enólogo, sommelier e ainda vem ao Brasil para servir sua taça, enquanto falam apaixonadamente sobre aquilo que produzem. Só não me pergunte quem ficou tomando conta das vinhas…

 

Charlie Villard servindo os vinhos produzidos por sua família no vale do Casablanca.

Charlie Villard servindo os vinhos produzidos por sua família no vale do Casablanca.

O EVENTO

Em clima de festa, com direito a DJ, food bikes e, obviamente, muito vinho, o MOVI Night SP reuniu 250 convidados entre profissionais da área, imprensa e personalidades do mundo do vinho.

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Pessoas interessantes, papos animados e apesar de bastante gente, o ambiente era amplo, decoração elegante, com espaço de circulação para todos. Os termômetros marcavam 16º em São Paulo, a temperatura para o serviço não foi uma grande preocupação.

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Com tudo muito bem organizado só restou a tarefa de partir para a degustação. A proposta era um sobrevoo por todo o Chile em 3 etapas assim formatadas:

Flight A: O Novo Chile, com mais Personalidade!
Flight B: Os Clássicos Recarregados.
Flight C: O Antigo agora é o Novo: do Atacama a Maule.

 

No Flight A estavam os vinhedos plantados nas últimas duas décadas fazendo uso das mais modernas tecnologias de análise de composição físico-química do solo e georreferenciamento das videiras (vinhedos de precisão). Conjugam as capacidades do terreno com as melhores características sensoriais das uvas escolhidas para plantio.

Entre Sauvignon Blancs e Chardonnays surgiam ótimos syrahs, cepa que não costuma ser associada ao nosso vizinho andino. Os destaques foram:

 

VinhoDescrição
7

Villard Le Chardonnay Grand Vin 2014

Casablanca. Frutas tropicais maduras e baunilha, apresenta um agradável amanteigado. Untuoso e de boa estrutura.
8 

 Tunquen syrah 2012 

Produzido pelo casal de brasileiros Marcos Attilio e Angela Mochi no vale do Casablanca, traz um frescor vibrante com especiarias exóticas e frutos negros. Final longo e apimentado.
O produtor Goncalo Munhoz orgulhoso do seu Polkura.

O produtor Goncalo Munhoz orgulhoso do seu Polkura.

Polkura Syrah 2010  

Colchagua, Syrah co-fermentado com Viognier, ao estilo Cote-Rotie, só que mais musculoso e intenso. Cassis, amora e pimenta preta.  

O Flight B apresentou vinhos com origem nos terroirs clássicos do Chile, mas feitos segundo a reinterpretação e visão pessoal dos vinhateiros responsáveis. Neste voo destacamos os seguintes:

VinhoDescrição
15 

Clos Andino Grande Reserve 2011

Maipo -Cerejas vermelhas, com notas de pimentão e um pouco de tabaco. Taninos bem desenvolvidos e ótima acidez.

15 

Laura Hartwig Edición de Familia – 2011 

Colchagua – Um blend bordalês. Denso de grande volume em boca. Cereja e ameixas maduras, toques amadeirados e fumados. Muito equilibrado

11 

Vultur Gryphus 2013 

Colchagua. – Carmenere e Petit Verdot e Petite Sirah. Robusto e elegante, surpreendeu pela notas herbacias discretas e um conjunto equilibrado e com complexidade.

Ed Flaherty e seu blend surpreendente.

Ed Flaherty e seu blend surpreendente.

 

Flaherty 2013  

Acongcaua, – Um blend de Syrah, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tempranilho. Òtima fruta Madura e bastante complexidade. Um vinho muito equilibrado e elegante.

13 

Montelig 2009 

Aconcagua Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Carmenere. Bom corpo e frutas do bosque e apimentado, presença de madeira. Longo final.

O Flight C reuniu vinhos elaborados em locais que foram durante muito tempo desprestigiados, mas que agora vêm despontando com “novas” uvas como a Carignan e Cabernet Franc, e técnicas modernas de elaboração. Entre eles distinguiram-se os abaixo:

VinhoDescrição
14  Gillmore Hacedor de Mundos Cabernet Franc Old Vines 2010

Loncomilla – frutas negras maduras e presença herbal. Apimentado e com uma presença salina. Complexidade interessante. Bom corpo.

15  3 Monos Carignan Garnacha 2014

Valle de Cauquenes. Este vinho é muito particular. Corpo espesso, com frutas secas, quase adocicado. Acidez em equilíbrio.

  Dueno de la Luna Carignan Meli 2009 Maule.

Vivido, cheio de juventude e fácil de tomar. Frutos vermelhos maduros, boa fruta e ótima acidez.

Fillo Carignan 2014

Corpo robusto. Concentrado de vermelhos maduros toques de violeta. Taninos maduros e envolventes.

Os vinhos acima comentados são uma pequena parcela entre os tantos exibidos. Depois dessa demonstração de grande diversidade e qualidade, está claro que o Chile tem capacidade para galgar degraus mais altos no patamar dos vinhos mundiais.

E, sem dúvida alguma, o MOVI é um dos canais mais encantadores para garimpar novas joias, produzidas com tanta paixão e personalidade, como melhor explicou seu diretor, Sergio Avendaño, na entrevista exclusiva que concedeu a este blog, a ser publicada no próximo post.

 

Saúde!

 

 

 

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